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Mostrando postagens de agosto, 2024

Está gravado em mim

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Está gravado em mim Nunca esquecerei do dia que te vi pela primeira vez Numa tarde de sábado, quente, no centro Você ainda com tímidos cachos, que pendiam em pequenas madeixas Senti uma conexão estantanea, espontânea  Senti que falávamos a mesma língua Ouvindo Alcione, pensando em política Você com os olhos brilhando Eu, tentando esquecer dos últimos dias Das últimas horas, de quem eu era Ainda assim, você se convidou a adentrar nessa confusão particular Nessa espiral de problemas Prato cheio pra melancólicos poemas Por que você é assim? Magnético, amável, confortável Você tem cheiro de um café da tarde de sábado, com geleia de amoras, pão caseiro e um café fresquinho Você me lembra das inumeras pessoas que magoei Você se parece um pouco com cada uma delas Você se parece também com uma falecida amiga Talvez sejam os cachos, talvez seja a sua capacidade de me deixar tranquilo, confortável, em terra firme Acabei escrevendo sobre você Exitei por algumas vezes pois não queria dar a ent...

ser gentil

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Como pluma, você me deixa leve Como folhas caindo ao chão Bolinhas de algodão Espuma de sal ao mar entregue O orvalho, sereno sereno O comecinho do dia, logo cedo Menino pequeno Sinto seus medos ao tocar os seus dedos Quem foi que te picou, menino? Me conte suas histórias Junto a uma garrafa de um vinho barato Revele-me suas memórias Prometo que as protegerei Como se fossem minhas Sejam elas frágeis, tristes, lindas Tragédias, enterros, lamentos Carnavais, bacanais, festivais Funerais, missas dominicais Um jantar com seus pais Admiro suas conquistas Admiro sua ótica, perspectiva Admito que já quis ser Mais que um amigo na sua lista O tempo, as circunstâncias Volta e meia me deixam a distância E sempre que te encontro Pronto! Volto a me sentir como criança Você é aconchego Um céu azul anil, de nuvens vazio Minha esperança de que Gente é pra ser gentil. 

Meninos doces

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Meninos Doces Filho de José com dona Sil Menino gay, vindo de um dos estados mais conservadores do Brasil. Cresceu ouvindo falar do filho da vizinha Expulso de casa por pintar o cabelo E ir pra festa vestido de sainha. Era doce, gentil, afetuoso Mas, era bicha, gordo, nerd, medroso, esquisito Se afundava em livros pra tentar silenciar sua mente em conflito O melhor da classe, aluno favorito Atento, breve, entregue Motivação pra docência, Inspiração pra greve Não era o bastante, pouca idade Prostituição, abuso de drogas, promiscuidade na sequência? Mal falado na cidade? As capelas e cultos foram o Gênesis As árvores de seus pensamentos cheias de corvos Palavras de familiares foram némesis Cumprindo expectativas pra não ser 1 entre esses corpos Coração medroso, das igrejas foi oficina Um belo atrativo pra imundas línguas Ela sussurrou: “As capelas estão cheias de demônios, garoto Bocas porcas em seus altares, discurso torto Nos becos prontos pra fazer sua mãe chorar Eles não te querem be...