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Mostrando postagens de setembro, 2025

CAIS

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Afogue-me numa maré de mim mesmo, e logo estenda-me a sua mão, firme, como quem entende das marés que me cobriam. Como cais, atraco meu peito em seu peito, meus dedos em seus cabelos. Tudo muda: o silêncio nas ruas, o sereno. É como pisar em terra firme após uma longa viagem num barco a remo: areia nos pés, sol e a sensação de estar finalmente em casa. A inegável sensação de que sinto por você não é apenas uma amizade comum, mas um vínculo que extrapola o imaginável. Mesmo com medo de ultrapassar o aceitável, eu aceitaria qualquer rótulo, desde que o vínculo fosse interminável. Nas dunas do meu próprio tempo, a areia da ampulheta se desfaz. E você é como um cais: você fica, não se vai. Você sorri e a tristeza se esvai. Você se aproxima e o coração atrai, quer mais — nem que seja mais do mesmo. O mesmo é rotina, e eu adoro ter rotina. Um brilho na retina. Meus apocalipses já silenciei, a mágoa estaciona, o presente vem à tona. Que bom que você veio, mesmo sabendo que fui eu quem voltei....

Ensaios sobre o Tempo #01

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Outrora sentiu-se só, sem chão sob os pés. “Daí” lembrou-se do mar, do vento, do tempo, do seu primeiro amor, da casa de seus pais, da sua terra. O tempo passou como uma tempestade, aquela que levou consigo os lençóis do varal. Aterradora. Arrasadora. Tal qual o tempo — seu velho e inconfundível vilão. Ao ver as rugas no rosto da mãe, os evidentes cabelos brancos do pai, as dores no joelho e na coluna, parece morte, mas é só a vida. Reclinou-se na cadeira de balanço, repousou a cabeça sobre um travesseiro, fechou os olhos e ficou em silêncio, ouvindo o vento correr entre as árvores. Eu me lembro de você; talvez jamais me esqueça. Mesmo querendo muito arrancar, com minhas próprias mãos, a sua presença, essa infeliz presença. Quando eu te vi, de alguma forma, já sabia: no fundo, eu já sabia que não seria. Mas cedi aos vícios, ao aconchegante canto da parede. Na viagem de volta, inebriado e emocionado, no fundo eu já sabia que não seria: nem eu, nem você. Não era você. E minha covardia gr...