monções
Monções Me sinto uma locomotiva que descarrilhou e deixou em pedaços as colunas que antes seguravam a minha presença nessas esquinas. E você insiste em não entender a pressão que exerce em mim. Pedaços. Sou apenas pedaços. Quem não me permitiu expor o que me sangra não tolerará minhas monções. Luto, surto, coitadismo ou compaixão. O que me resta é me rastejar entre o piso manchado, tentando ainda estar, tentando ainda permanecer, até que me escape do peito o último fôlego. Até que ponto você entende? Até que ponto está comigo? Até onde vai em nome do que diz que sente? Não é questão de dúvida. É que eu já fiquei sozinho por tempo demais. E estou dando o meu melhor para ainda estar aqui. Esclarecendo novamente: é necessário despir os pés dos calçados e caminhar na chuva, nesse desfiladeiro, onde estar de pé já parece um ato de resistência. É preciso estar. Mesmo quando tudo em mim pede para desaparecer. Estar na chuva. Estar no frio. Estar diante ...