vernissage
Luz que rompe o breu dos meus olhos
Remonta o silencioso voo
A turbulência ameaçando a ruína do aeroplano
Me sinto nas profundezas de um quadro em cores de Basquiat
De Van Gogh a Van der Rohe
Selvagem, dócil, meu ego pulsa em furor
Meu corpo tingido em vermelho, como aquela de Bobardi
As manchas pulsam e me recordam das vidas que já vivi
Das pessoas que tive, de onde estive
E de quando não mais te vi
Uma história triste e bela como as obras de Debussy
A sonata do caos perfazendo uma tragédia programada
Do sul ao leste da megalópole
A esperança de voltar que trouxe na mala
As visões e perspectivas de um dia ensolarado
As ligações que não fiz estão chamando até agora
Senhora dos meus dias, engoli a seco
Imaculada marginalidade
Cigarro entre os dedos
Eis a minha vernissage
Desconstruí da mente a distopia de uma triste realidade
Talvez fosse o medo de correr os riscos
E engolir uma intragável verdade
Shakespeare nunca fez tanto sentido
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