Menina

Comecei a escrever esse texto a mais de 7 anos atrás, ele costumava vir acompanhado de um desenho bobo de você, semi-colorido. 

Pra falar a verdade, acho que comecei a escrever isso desde o dia que te conheci, um dia que eu nem me lembro, desde que me entendo por gente você já estava lá, não esperou muito pra aparecer depois de mim.

Você costumava a ter cabelos ruivos e cacheados quando escrevi pra você a 7 anos atrás, agora estão castanhos escuros e lisos. Seus cabelos já foram de várias cores e tamanhos.

Essa noite me peguei pensando em você, na distância, na família, me lembrei de uma música cafona do Tim Maia, que diz "vou morrer de saudade, não, não vá embora", escorreram-me algumas lágrimas, ando sentimental demais.

Eu que fui embora, né! Eu sempre vou, mas ao mesmo tempo, eu sempre estive aqui, e você sempre esteve aqui, assim como na infância, lembra? Que íamos pra escola de mãos dadas e ficávamos assim, mesmo sem necessidade.

Você sempre esteve comigo e sempre estará! Você sente que eu estou com você? Essa é uma das coisas que mais me preocupam, de sentir que não estou presente, que nunca estive e que você se sente só.

Talvez eu nunca me perdoe pelas vezes que eu não estivesse por perto quando você se sentiu só. 

Quero que saiba que você é meu orgulho, meu bem mais precioso, imagino você como uma heroína, que pode fazer tudo. 

Agora estou no banheiro do meu apartamento, chorando e lembrando de todas as coisas e sentindo saudade do frio da minha cidade. 

Engraçado que eu não paro de falar nela, em qualquer ocasião arrumo uma desculpa pra falar bem de onde eu vim.

Esse texto está estranho, já perdi o foco!

Certa vez um poeta disse que "quando os caminhos se confundem é necessário voltar ao começo. Se não sabe pra onde ir, tem que voltar do começo. Pra não perder o rumo não pode esquecer do começo", tudo faz sentido agora.

Quando eu perder o rumo vou lembrar de segurar a sua mão, independente do tempo que me restar, esse é o meu começo, um dos tantos. 

Lembrei agora das palavras que escrevi pra você em 2017, era algo como, "eu vejo sonhos, vejo verdade, liberdade, vejo o futuro em seus olhos e o mar em seus cabelos, mas você só vê tristeza, menina".

Você ainda se vê triste? Você só vê tristeza? O que você vê? Como você me vê? Me conta, quero saber tudo de você.
Quero saber o que você aprendeu de novo, quero saber como anda o trabalho, quero saber como você anda e como andam as coisas da sua vida. 

No fim, eu acho que sou eu mesmo que vejo a tristeza, nas pessoas, nos lugares, desde pequeno aprendi a reconhecer quando os outros não estavam bem, mas não é sobre mim isso aqui. 

É sobre você, que sonha, sonha muito, minha irmã, não pare com isso, sonhe o quanto quiser, sonhe dormindo, sonhe acordada, sonhe sobre o passado e o futuro, sonhe sonhos vividos, aqueles que quase dá pra tocar de tão reais, sonhe coisas loucas, viva coisas loucas, sonhe e viva o que você quiser!

Eu ainda vejo sonhos, vejo uma trabalhadora honesta, uma dedicada acadêmica, uma leal companheira, uma divertida amiga, uma excelente filha e a melhor irmã, eu vejo você, menina!

Como você se vê?

Logo logo tô aí, pra matar a saudade, te ver de novo, pra segurar sua mão e voltar pro começo. 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

carta aberta a todas as pessoas que machuquei

meu primeiro amor

Fuga