Será que você volta?

Suas mãos nas minhas,
seu peito no meu,
meus olhos pareciam enxergar o futuro,
e ele era doce e gentil com você.
Mesmo depois das enormes desventuras emocionais,
desterros, conflitos, frustrações.

Somos apenas eu e você agora,
e, mesmo assim, o passado é presente.
Eu olho no fundo dos seus olhos,
enxergo a mim e vejo todos nós.
Vejo a pracinha perto da minha casa na infância.

Também me lembro das centenas de vezes que me senti sozinho,
e, ainda assim, estou aqui — e você também.
Vejo um retrato amassado em uma mesa de madeira,
uma porta entreaberta.

O estranho é que com você, 
não me senti sozinho, não fiquei sozinho, 
O que você sentiu? 

O toque dos seus lábios me trouxe à realidade novamente,
o calor do seu peito,
o amor de uma noite de inverno.
Mas, na manhã seguinte, você se foi.
Partiu pra zona sul.

E eu fiquei pensando
como seria se você tivesse ficado
do meu lado na cama.
Se daríamos certo, se seria certo.

Afinal, o passado é presente,
e, volta e meia, ainda sinto seu cheiro
e me transporto pro momento em que abri o portão da minha casa
e você estava lá.

Mas você é um desencontro, é meu abandono,
é um sonho lúcido, é um doce caseiro.
Você tem cheiro de casa de vó,
tem o sorriso de um adolescente tímido
e a coragem de um aventureiro.

Será que você volta algum dia?
Semana que vem? Mês que vem?
Essa história já terminou?
Teremos parte 2 ou 3?

Da próxima, você fica mais?
Me abraça mais? Me beija mais?
Não me deixe mais!
(...) 
Fica.... Fica comigo!

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