Ensaios sobre o Tempo #2

Já foi as cinzas ao apagar da brasa
Já foi resto de cera ao silenciar da vela
A mariposa ao bater das asas
Hoje é dor nas costas e saudade de casa

Já esteve nas esquinas mais barulhentas
E em cada canto incômodo
Provou do veneno impuro como cômodo

A luz da varanda continua acesa
Aquela ansia e a dor no peito ainda estão na mesma
Enquanto despeja palavras em vão ao incendiar as resmas

Hora de tirar a máscara e retomar
Jamais esqueceu do primeiro passo
A sensação de fracasso só me fez retornar

Já se sentiu preso? A uma casca
Aos seus fantasmas
E não há como sair ileso

Prezo pela busca de dias melhores
Com mais cores, mais carnavais
E que os amores não esperem nos terminais

Ela chorou como nunca até seu último dia
Entendi que tristeza também mata
E que autocuidado não se adia
Perdeu tempo de curar o que maltrata

A luz do poste se apaga
O velho candelabro acendido no canto
A chama trepida, o ranger de dentes
Eu me lembro de você

Do seu jeito, da sua presença
O lugar que você deixou vazio, ainda está
Os vagalumes do bosque desapareceram
As crianças já não brincam na rua
E sua cadeira velha, já não se encontra
Seus chinelos velhos, suas saias, seus brincos
Tudo ficou, menos você!

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