ensaios sobre o poder #01

É sobre poder, ser, algo que,
nem sei, que poderia
Algo além, do que já fui
Ou melhor, me permitir
Ser o que, sempre fui
Eu mesmo

Dar paraquedas aos meus sonhos
Dar asas ao meu coração de menino
Me despir da mágoa que corrói minhas vestes
Dar o próximo passo
Aceitar andar junto
E dar descanso à minha alma

Parar de questionar o espelho
Entender que fiz o que pude
Com o que tinha

As cicatrizes das minhas mãos contam histórias
De amores que se tornaram tragédias
De tentativas de escapar do fundo do poço

As janelas da minha casa
remontam os dias mais obscuros que tive
Até que entendi que poderia dividir o fardo da vida
Com quem me estendeu a mão em meio à tempestade

Quem beijou minhas feridas
silenciou minha mente barulhenta

E sei que você está lendo isso (meu bem)
Obrigado por ter ficado aqui comigo
Quando eu só sabia afastar as pessoas
Obrigado por não ter se afastado
Por ter insistido, por ter sorrido
E ficado durante as chuvas nas terças-feiras
Por ter sido você sempre
E ter me ensinado que posso

Hoje não me vejo entre as mesmas ruas
Frequento lugares que fazem brilhar o sorriso
Meus olhos se direcionam apenas àqueles que
partilham de sonhos parecidos
Onde é bem-vindo o meu amor

E deixo meus demônios bem guardados
Cadeados, contudo já não os temo
lido melhor com essa estranha sensação

Brilhos, intensos, que cegam, meus olhos
Já não, me tiram, do foco

E lá fora, te vejo, à espera
De eu abrir, a porta
E sorrir como nunca fiz.

E sinto que contigo
Posso ir a qualquer lugar
E posso tudo o que quero

O passado não me afeta mais
Não me tira do eixo
Não me desespera
E aquilo não me acessa mais. 


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